Passo a passo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013


Sigo com meus pequenos passos, calçando apenas 34. A distância do objetivo nunca me assustou, assusta-me não tê-lo.

E quantas vezes já me aconteceu de olhar pra frente e ver um ponto beeem distante, chamado de meta ou sonho?


Lembro-me de quando eu fazia natação. Competições de velocidade nunca foram minha especialidade, pois com braços finos e pequenos, enquanto eu dava três braçadas, os outros davam uma e chegavam muito mais rápido ao final da piscina. Porém, sempre fui muito boa em resistência, e de braçada à braçada, eu continuava até chegar ao mesmo número de voltas que os meninos, donos de braços e pernas mais fortes, conseguiam completar exaustos. Resistência e teimosia são duas palavras muito próximas, pois minha exaustão já havia chegado há muito tempo antes de completar o circuito, chegava a sentir enjoos e gritava embaixo da água, mas parar, jamais! Sempre fui assim, uma pessoa “passo a passo”, concentrando-me apenas em dar mais um sem desistir. Eu sabia que se olhasse ao final do caminho, lá longe, poderia desistir no mesmo instante, pois seria “impossível” dar mais centenas de braçadas no estado de cansaço que me encontrava, mas eu tinha a consciência de que podia dar mais uma... Por que não mais uma? E mais uma...

E assim faço com tudo na vida. Topo com sonhos “impossíveis” e examino a situação até achar uma brecha para dar um passo mais próximo em sua direção, que pode estar a quilômetros, sem nem pistas do final do caminho... Basta saber a direção e continuar sonhando.

Foi difícil dizer como ou quando eu conseguiria fazer de um namoro de dois meses, virar um romance para a vida inteira. O começo do caminho dizia que era uma rua sem saída, com um alto muro concreto de impossibilidades, mas eu sabia que podia dar mais um passo na direção do muro para vê-lo mais de perto e, passo a passo, percebi que o muro era feito de medo. Chegando mais perto, ele afastava-se na mesma proporção, sempre o suficiente para que eu não visse o final, afirmando-se intransponível. Mas eu podia dar mais um passo... Passo a passo estou eu aqui, vivendo um sonho “impossível”.

E quanta gente olhou pra esse muro e deu meia-volta?

Estou eu novamente agora com o muro a minha frente. Mas já chego a adorar a imagem dele e tudo o que ele representa. Meus melhores passos, os mais decisivos, sempre foram em sua direção.

Meu atual muro está à frente do sonho de ser escritora, de ter um livro (ou vários, mas vamos passo a passo) publicado. Falando assim, parece algo muito grande, pelo menos para mim, que nunca fiz isso antes e não tenho contatos com editoras. O muro está lá, desafiando-me e afirmando que não há uma continuação. Sorrio em sua direção e levanto a cabeça, aceitando o desafio.

Escrevi o livro, o passo principal, o começo de uma longa caminhada – não que tenha sido fácil, mas essa parte dependia só de mim. Enviei cópias para algumas editoras, um passo que não me levou muito a frente, já que não recebi respostas. Mas não deixa de ser um passo. Certo, ninguém disse que seria fácil. Procurei por agentes literários, de onde começo a receber alguma resposta e fazer cálculos de quanto teria que investir. Mais um passo, vamos ver... Escrevo daqui, publico dali em blogs maravilhosos, que fazem um trabalho lindo ajudando muita gente, como o “Donas de casa anônimas” e o “Brasileiras pelo mundo”. Hei! Apareci no jornal! Não que isso tenha me feito famosa, mas é um passo, mais um passo... E o mais recente, fui convidada para escrever num ótimo blog de crônicas, o qual sempre admirei, o “Curta Crônicas” e estou muito feliz com isso, pois sinto ser um grande passo, mais uma referência como trabalho ao lado de pessoas com sonhos parecidos.

Meus passos são pequenos, às vezes nem parecem sair do lugar nessa estrada longa, mas eu continuo, não viro de costas para o muro, eu vou me aproximar dele por onde puder, por todos os lados, ficar até de ponta cabeça, se for necessário examiná-lo por um outro ângulo. O importante é enfrenta-lo, dar aquele passinho à frente. 

Nem sempre o caminho é óbvio, nem sempre o objetivo aparece claramente aos olhos, mas é preciso acreditar. Ter um sonho é como ter fé, você não tem garantias de que vá acontecer, é preciso apostar para ganhar, e muitas vezes o que se vê mais provável é justamente o contrário do que se quer, isso cria a ilusão de que o sonho é impossível.

Impossível é uma palavra criada por um desistente, é coisa de quem dá o passo para trás. Afinal, o que pode ser impossível como sonho? Algo que está muito longe? Que as estatísticas não são animadoras? Nunca ouviu alguém conseguir algo assim antes?

Por que ligar para o que outras pessoas realizaram ou deixaram de realizar? As estatísticas de tudo o que aconteceu até hoje nunca podem conter o resultado de um novo sonho. Você está sonhando agora, e você é uma outra história, passa por um outro caminho. Ninguém pode te dizer para onde ele leva, você tem que andar nele todo para saber!

Quer ver onde esse caminho vai levar? Então pense: se eu posso dar mais um passo, eu posso chegar mais perto.

A diferença entre um sonho realizado e um adormecido, é apenas o tamanho do sonho, diante do tamanho do muro.
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